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6 de novembro de 2025
Viajar com propósito: o avanço do turismo sustentável no Brasil
18 de novembro de 2025Viajar deixou de ser apenas visitar um ponto turístico. Segundo estudo do Sebrae em parceria com o TRVL LAB, as experiências vivenciadas em uma viagem são hoje a maior motivação para praticamente nove em cada dez turistas brasileiros. Essa preferência revela uma mudança profunda no comportamento do viajante, que passa a priorizar vivências genuínas, encontros humanos e atividades que despertam sentidos e significados.
Esse movimento também aparece no relatório “Tourism Trends 2025”, da Embratur, que coloca a busca por experiências autênticas e personalizadas entre as principais tendências nacionais para os próximos anos. A pesquisa mostra que o turista atual valoriza atividades que o aproximam da cultura e da natureza, criando vínculos reais com o destino.
Experiência cearense
No Ceará, essa tendência se manifesta em vivências oferecidas por operadores locais: passeios em que o turista acompanha pescadores artesanais no litoral, oficinas conduzidas por rendeiras tradicionais, visitas a comunidades de artesãos e hospedagens que ocupam antigos engenhos ou casas históricas. São práticas que não apenas mostram o lugar, mas permitem participar dele.
A empreendedora de turismo Maria Felipe, 38 anos, que atua com imersões culturais no interior cearense, explica que “quando o visitante se envolve de verdade com as histórias e com a rotina da comunidade, ele passa a olhar o destino com outro sentido – é como se levasse parte da experiência para a vida”.
O guia local João Silva, 45 anos, reforça que o interesse por vivências sensoriais cresce ano após ano. “Antes as pessoas queriam apenas conhecer a praia. Hoje elas perguntam onde podem aprender algo novo, conversar com quem mora ali, experimentar o que faz parte do cotidiano. Esse contato muda a viagem”, afirma.
Impacto econômico
Informações do Sebrae indicam que o turismo de experiência representa uma fatia significativa do faturamento das pequenas empresas do setor no Brasil, especialmente entre negócios ligados à gastronomia, ao ecoturismo e ao artesanato. Embora não exista um percentual único aplicável a todos os segmentos, estimativas do setor apontam que atividades vivenciais respondem por uma proporção relevante da receita de empreendimentos locais.
Além disso, o estudo “De Olho no Turismo de Experiências”, também do Sebrae, mostra crescimento consistente do modelo no país e destaca que vivências de natureza e cultura estão entre as escolhas mais frequentes dos viajantes brasileiros. O movimento fortalece economias regionais, distribui renda e amplia as oportunidades em comunidades tradicionais.
Visão acadêmica
Para a pesquisadora em turismo de experiência, Dra. Luciana Medeiros, da Universidade Federal do Ceará (UFC), o fenômeno vai além de uma tendência de mercado. “Viajar hoje é uma jornada de autoconhecimento – os destinos mais valorizados são os que permitem um encontro: com o outro, com a cultura local e com a própria vida”, observa. Segundo ela, a busca por pertencimento e por reconexão com ritmos mais humanos está entre os motores dessa transformação.
Desafios locais
Apesar de promissor, o turismo de experiência exige cuidado, método e respeito às comunidades envolvidas. É necessário preparar moradores, capacitar empreendedores, garantir qualidade nas atividades e evitar que a vivência se transforme apenas em espetáculo para turistas. Como alerta o portal especializado TurismoSpot, “oferecer apenas o espetáculo, sem integrar o local, compromete a essência da experiência”.
No Ceará, muitos operadores adotam práticas de baixo impacto e priorizam grupos pequenos para manter a autenticidade. Trilhas guiadas em áreas de preservação, visitas a artesãos, passeios de canoa em manguezais e retiros de bem-estar são estruturados de forma a respeitar ritmos locais, evitando impactos negativos nas comunidades.
Memórias afetivas
O empresário Roberto Pereira, 52 anos, proprietário de uma pousada boutique em Beberibe, confirma essa mudança no público. “Antes, vinham pela praia. Hoje querem conhecer histórias, aprender um ofício, acompanhar o pôr-do-sol com quem vive o mar todos os dias. Essas memórias têm um valor afetivo enorme”, diz.
Viajar, portanto, deixou de ser apenas deslocamento – tornou-se imersão. Na nova era, o que se busca é mais do que o chegar – é o sentir. E o Ceará, com sua força cultural, seu litoral vivo e seu patrimônio humano, mostra que quando o destino convida o visitante para entrar na história, o turismo deixa de ser produto e se transforma em experiência duradoura para quem vai e para quem recebe.
E.





