
Vivências que transformam: quando viajar é mais do que chegar
18 de novembro de 2025
Quando o sabor guia a rota: o avanço do turismo gastronômico no Brasil
18 de novembro de 2025O turismo sustentável deixou de ser tendência para se tornar um movimento global. Relatórios internacionais, como o Sustainable Travel Report da Booking.com, mostram que cerca de 70% a 76% dos viajantes desejam fazer escolhas mais sustentáveis ao viajar, seja em hospedagens, transporte ou nas atividades do roteiro. Para muitos, a preocupação ambiental passou a influenciar diretamente a escolha do destino.
No Brasil, essa mudança se reflete em políticas públicas e diretrizes recentes do Ministério do Turismo, que posiciona a sustentabilidade como eixo central do Plano Nacional de Turismo 2024-2027. O documento está alinhado à Agenda 2030 da ONU e incentiva modelos de desenvolvimento que unam conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento comunitário.
Brasil atento
Um relatório global da Booking.com, divulgado em 2025, revela que 84% dos viajantes em todo o mundo consideram importante viajar de forma mais sustentável. No recorte brasileiro, a mesma plataforma indica que mais da metade dos turistas prefere hospedagens que demonstrem ações reais de sustentabilidade, como energia limpa, redução de resíduos e economia de água.
Segundo Helena Rey, Programme Officer do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), “o turismo responsável vai além das pegadas de carbono: envolve proteger o meio ambiente, engajar comunidades e compartilhar benefícios econômicos”. A fala, feita em publicação oficial do programa, sintetiza o desafio que destinos de todo o mundo têm buscado enfrentar.
Exemplo cearense
No Ceará, onde o turismo de natureza é um dos pilares da economia, práticas responsáveis vêm ganhando espaço. Em destinos como Jericoacoara, Cumbuco e Icaraizinho, muitas pousadas adotam energia solar, reduzem o uso de plástico, investem em coleta seletiva e contratam moradores locais. São medidas que valorizam a comunidade e protegem paisagens que são patrimônio coletivo.
Alênio Oliveira, guia turístico de 41 anos que atua no litoral oeste, nota essa mudança no perfil dos visitantes. “Hoje muita gente pergunta se o passeio respeita o limite ambiental, se a pousada trabalha com energia limpa e se parte do dinheiro vai para a comunidade. Há alguns anos, isso nem estava no radar”, conta.
Conservação
Pesquisas técnicas apontam que atividades bem conduzidas podem reforçar a conservação ambiental. A bióloga Mercedes Bustamante, referência em estudos sobre ecossistemas brasileiros, afirma que a preservação é um tema urgente e que é possível avançar no desenvolvimento humano sem ocupar novas áreas naturais, desde que a recuperação de áreas degradadas e o uso sustentável sejam prioridade. Suas análises reforçam a necessidade de modelos turísticos que respeitem limites ecológicos.
Operadoras do Ceará, conscientes desse cenário, têm incorporado orientações ambientais nas atividades: explicar espécies locais durante trilhas, alertar sobre descarte correto de resíduos, orientar condutas em áreas sensíveis e promover educação ambiental são ações cada vez mais presentes nos passeios.
Comunidade forte
O turismo sustentável também fortalece economias locais. Iniciativas comunitárias em municípios cearenses promovem vivências de artesanato, gastronomia regional, pesca artesanal e tradições culturais, permitindo que moradores se tornem protagonistas da experiência turística.
Maria do Carmo Nogueira, artesã de Trairi, relata que o movimento transformou o cotidiano. “Os turistas querem saber como cada peça é feita, qual o significado cultural, de onde vem o material. Isso valoriza o que fazemos e ajuda nossa comunidade a crescer”, afirma.
Desafios reais
Mas há obstáculos. A pressão imobiliária sobre áreas de preservação, o descarte incorreto de resíduos em praias, o excesso de veículos em regiões sensíveis e a falta de controle de fluxo turístico são riscos recorrentes. A própria ONU alerta que turismo sem planejamento pode acelerar a degradação ambiental.
Especialistas defendem que a solução passa por políticas integradas entre poder público, iniciativa privada e comunidades. Sem isso, a sustentabilidade corre o risco de virar apenas discurso, e não prática.
Os viajantes, claro, também têm papel decisivo. Escolher hospedagens responsáveis, evitar lixo na praia, não retirar conchas ou elementos naturais, optar por empresas locais e respeitar áreas sensíveis são atitudes que reduzem impactos e enriquecem a relação com o destino.
Carolina Azevedo, turista capixaba de 32 anos que visitou o litoral leste do Ceará, afirma que viajar de forma sustentável amplia a percepção do lugar. “Quando a gente entende que cada escolha tem um impacto, a experiência se torna mais consciente, mais bonita e mais respeitosa”.
Futuro possível
Ceará e Brasil caminham para consolidar um turismo que protege o presente sem comprometer o futuro. Em destinos marcados por sol, vento e mar, o compromisso com a sustentabilidade garante que a beleza e a força cultural permaneçam vivas. Viajar com propósito é, acima de tudo, reconhecer que cada paisagem é um ecossistema vivo – e que cabe a todos cuidar, aprender e contribuir.
E.





