
Capital cearense se destaca no acolhimento e aprendizado com pets
6 de novembro de 2025
Fortaleza, terra da luz: quando a iluminação pública transforma a paisagem urbana
6 de novembro de 2025O som das patas ecoando pelos corredores de um hospital é, para muitos pacientes, uma pausa no medo e na dor. Em Fortaleza, essa cena tem se tornado mais comum com a chegada de projetos de terapia assistida por animais (TAA) — prática que alia afeto e ciência para estimular a saúde mental de pessoas em tratamento médico ou emocional.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que o convívio com animais de estimação pode reduzir sintomas de ansiedade e depressão, além de estimular o sentimento de pertencimento. A presença de um animal durante terapias ou internações atua como um “agente social” capaz de diminuir a pressão arterial, equilibrar o humor e favorecer a adesão ao tratamento — especialmente em crianças e idosos.
Em Fortaleza, um dos exemplos mais conhecidos é o trabalho do Instituto Cão Vida Lui, que realiza visitas terapêuticas com cães treinados em hospitais, escolas e empresas. A iniciativa ganhou visibilidade em 2019, quando o Instituto Doutor José Frota (IJF) recebeu a primeira sessão de pet terapia em sua ala pediátrica, durante a Semana da Criança. Segundo informações da Prefeitura de Fortaleza, a atividade teve como foco o alívio da tensão emocional e o estímulo à alegria de crianças hospitalizadas.
Desde então, o grupo também firmou parceria com a Unimed Fortaleza no projeto Pet Amigo, voltado para atividades sociais e terapêuticas mediadas por cães em ambientes hospitalares. Segundo a instituição, o objetivo é levar conforto e bem-estar aos pacientes e familiares, promovendo o equilíbrio emocional durante os períodos de tratamento.
“A reação é imediata. As crianças sorriem, pedem para brincar e, por alguns minutos, esquecem que estão em um hospital”, relata uma mãe fictícia que representa o sentimento de famílias que vivenciaram experiências semelhantes. “É como se o cão trouxesse leveza para dentro do quarto.”
A seleção dos animais é um ponto crucial. Conforme destacado pela própria Prefeitura de Fortaleza, nem todo pet pode participar de atividades terapêuticas: é necessário treinamento específico, temperamento equilibrado e acompanhamento veterinário constante. A segurança e o bem-estar dos pacientes e dos animais são monitorados por profissionais e instituições parceiras.
Embora as iniciativas ainda sejam pontuais, elas se inserem em uma tendência global. No Brasil, universidades e clínicas têm estudado o impacto positivo das interações entre humanos e animais no tratamento de doenças emocionais e físicas. Pesquisas indicam que a presença de um cão terapeuta estimula a liberação de endorfina e serotonina, hormônios ligados à sensação de prazer e relaxamento — efeitos semelhantes aos provocados por medicamentos antidepressivos leves.
Especialistas apontam que o avanço das políticas públicas de saúde mental deve considerar o papel das terapias complementares, incluindo a TAA. Além do apoio clínico, o contato com animais é uma forma de reconstruir vínculos afetivos, fortalecer a empatia e reduzir o isolamento social, principalmente em ambientes hospitalares e instituições de longa permanência.
Fortaleza, cidade de clima acolhedor e forte cultura comunitária, reúne todas as condições para se tornar referência no uso terapêutico de animais. O desafio é ampliar os projetos e integrá-los a redes de atenção psicossocial, com apoio técnico, protocolos de segurança e reconhecimento institucional.
No fim, a pet terapia simboliza algo maior do que uma técnica: representa o poder curador dos laços. Entre um carinho e outro, o cão terapeuta lembra que o cuidado também se faz com presença — e que, às vezes, a melhor forma de tratar é simplesmente estar junto.
E.





