
Calçadas que acolhem: o primeiro passo para uma cidade mais humana
6 de novembro de 2025
Sons invisíveis que afetam a saúde nas cidades; ruídos potencializam insônia e hipertensão
6 de novembro de 2025Fortaleza tem se destacado como uma das capitais brasileiras mais comprometidas com a transformação da mobilidade urbana. Os números refletem um esforço constante: segundo o Observatório de Fortaleza, a cidade reduziu em mais de 50% o número de mortes no trânsito na última década, graças a políticas integradas de segurança viária, fiscalização eletrônica e infraestrutura voltada ao pedestre e ao ciclista. Essa conquista é fruto de planejamento, inovação e, sobretudo, mudança de mentalidade — um sinal de que a cidade está aprendendo a se mover com mais consciência.
A mobilidade inteligente não se resume a aplicativos e tecnologias: é um modelo que combina dados, sustentabilidade e comportamento humano. Fortaleza foi pioneira na criação do Plano de Segurança Viária (2018–2028), alinhado à Visão Zero, conceito internacional que defende que nenhuma morte no trânsito é aceitável. A meta é ousada, mas alcançável quando se aposta em soluções baseadas em evidências e na integração entre transporte, urbanismo e tecnologia.
A cidade também já opera um dos sistemas mais modernos de semáforos inteligentes do país. Mais de 50% dos cruzamentos são gerenciados em tempo real, ajustando os tempos de verde e vermelho conforme o fluxo de veículos e pedestres. Segundo a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), essa tecnologia permite reduzir congestionamentos e emissões de CO₂, além de otimizar a passagem do transporte coletivo. O sistema é monitorado a partir do Centro de Controle de Tráfego (CCTFOR), que atua 24 horas por dia.
“O uso de semáforos inteligentes já reduziu gargalos e melhorou o fluxo em avenidas estratégicas de Fortaleza”, explica Juliana Coelho, superintendente da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC). “O foco é a mobilidade humana, e não apenas o deslocamento de veículos. Queremos uma cidade que priorize vidas”, reforça a gestora, que tem sido voz ativa em projetos de educação e inovação no trânsito da capital.
O avanço da malha cicloviária também é exemplo de política pública eficiente. Fortaleza ultrapassou a marca de 490 km de ciclovias e ciclofaixas, consolidando-se como referência no Nordeste. O dado é da Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) e reflete um crescimento planejado, que acompanha o aumento do número de ciclistas e o incentivo à mobilidade limpa. Para o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), Fortaleza é hoje um dos principais cases de “cidade ciclável” no país.
O transporte público, por sua vez, vem sendo gradualmente redesenhado com faixas exclusivas, bilhetagem digital e paradas acessíveis. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus) aponta que a priorização dos corredores exclusivos pode reduzir em até 25% o tempo médio das viagens. O desafio, agora, é integrar modais – conectando o ônibus à bicicleta e à caminhada, para que o deslocamento urbano seja mais fluido e humano.
Moradores sentem a diferença. “Hoje eu consigo sair do bairro de bicicleta, pegar o ônibus e chegar ao trabalho sem atraso. Isso antes era impensável”, comenta Carlos Menezes, morador da Messejana. Depoimentos como esse reforçam a ideia de que mobilidade é também qualidade de vida – um direito que se constrói com escolhas urbanas inteligentes.
Outras praças
Comparativamente, cidades como Recife, Curitiba e São José dos Campos também vêm investindo em sistemas de transporte inteligentes, uso de dados e integração modal. A diferença de Fortaleza está no foco humano e participativo: a capital cearense foi uma das primeiras do país a adotar o conceito de “mobilidade por evidência”, baseando decisões em estudos técnicos e relatórios de impacto real, o que rendeu reconhecimento internacional do Banco Mundial e da Bloomberg Initiative for Global Road Safety.
Especialistas em engenharia de transportes destacam que a mobilidade inteligente só se consolida quando há continuidade administrativa e avaliação constante dos resultados. Para eles, o trânsito é um “organismo vivo”, que exige atualização permanente de dados e estratégias. Essa cultura de medição e adaptação é o que diferencia cidades inovadoras daquelas que apenas reagem aos problemas diários.
Mais do que tecnologia, a mobilidade inteligente é uma nova cultura urbana. É o reconhecimento de que o espaço público pertence a todos, e que o trânsito pode – e deve – ser planejado para salvar vidas, não apenas para escoar veículos. É o caminho de uma Fortaleza que se move com propósito: menos buzinas, mais empatia; menos pressa, mais consciência.
E.





