
Com chips e aplicativos, tecnologia transforma o cuidado com os pets
6 de novembro de 2025O amor pelos animais deixou de ser apenas um gesto afetivo e se tornou também uma atitude cidadã. Em todo o país, cresce o número de brasileiros que escolhem a adoção em vez da compra — e, mais do que isso, passam a enxergar cães e gatos como parte da estrutura familiar. Segundo pesquisa da GoldeN/Opinion Box, divulgada pela CNN Brasil em 2024, 80% dos tutores afirmam que adotaram seus pets, e a maioria declara ter encontrado nos animais um companheiro emocional e uma fonte de bem-estar diário.
Em Fortaleza, a tendência acompanha o movimento nacional. A Coordenadoria Especial de Proteção e Bem-Estar Animal (Coepa) e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realizam feiras de adoção, campanhas de castração e ações educativas sobre guarda responsável. Essas iniciativas são fundamentais para reduzir o número de animais abandonados e estimular a adoção consciente — aquela que considera tempo, espaço, recursos e afeto.
A médica-veterinária Simone Facó, especialista em comportamento e bem-estar animal, explica que o vínculo com os pets se tornou mais maduro e informado. Segundo ela, as pessoas passaram a adotar com mais preparo, buscando entender as necessidades emocionais e físicas dos animais. Para a profissional, “ter um pet deixou de ser um impulso para se tornar uma escolha de responsabilidade e afeto equilibrado”.
A mudança de comportamento também reflete um fenômeno social em expansão: as famílias multiespécies, que incluem humanos e animais no mesmo núcleo afetivo. Um levantamento da Mars Petcare aponta que a maioria dos tutores brasileiros considera seus animais parte da família — e muitos reconhecem que a convivência melhora a saúde emocional e reduz o estresse.
Para Patrícia Nogueira, 39 anos, professora e tutora de três gatos adotados em Fortaleza, a experiência de adotar trouxe novas perspectivas sobre convivência e empatia. “Aprendi a respeitar o tempo de cada um. Eles me ensinaram mais sobre paciência do que qualquer livro”, conta. “Minha casa é mais cheia, mas também mais feliz”.
Apesar dos avanços, o abandono ainda é um desafio. Em campanhas recentes, a Coepa alertou para o aumento de casos de animais deixados nas ruas após o período da pandemia, especialmente por famílias que não conseguiram arcar com os custos ou o tempo de dedicação. O órgão reforça que a adoção deve ser uma decisão permanente – e não uma resposta momentânea à solidão.
Organizações de proteção animal e abrigos independentes têm se reinventado com o apoio das redes sociais, que se tornaram ferramentas essenciais na busca por novos lares. Plataformas digitais permitem divulgar perfis de animais, receber doações e conectar tutores a ONGs de todo o país.
“Antes, as feiras eram o principal meio para adoção. Hoje, uma única postagem no Instagram pode mudar o destino de um animal”, afirma Juliana Araújo, 27 anos, voluntária do projeto Adote com Amor, que atua em Fortaleza desde 2019. “A internet aproximou quem quer ajudar de quem precisa ser ajudado”.
A adoção responsável é, acima de tudo, um gesto de empatia e constância. Mais do que acolher, trata-se de entender que o animal é um ser senciente, que sente medo, dor e amor. A nova geração de tutores mostra que a consciência cresce junto com o carinho — e que um lar verdadeiro se constrói com presença, cuidado e compromisso.
E.





