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Calçadas que acolhem: o primeiro passo para uma cidade mais humana
6 de novembro de 2025Em uma metrópole como Fortaleza, a iluminação pública vai muito além de garantir visibilidade nas ruas. Ela é um símbolo de cuidado coletivo, segurança e pertencimento. Com mais de 210 mil pontos de luz espalhados pela cidade – dos quais quase 97% utilizam luz branca, segundo dados oficiais da Prefeitura -, a capital cearense vem consolidando um modelo de modernização que alia eficiência energética, sustentabilidade e bem-estar urbano.
A adoção gradual da tecnologia LED tem sido o caminho mais eficiente para reduzir o consumo de energia e melhorar a qualidade da iluminação. As luminárias de LED consomem até 50% menos eletricidade e possuem maior durabilidade, o que reduz os custos de manutenção e amplia o alcance luminoso nas vias. “Quando a iluminação é uniforme e eficiente, as pessoas voltam a ocupar o espaço público com mais confiança”, explica o urbanista Rafael Tavares, ressaltando o papel da luz como ferramenta de convivência e cidadania.
Cidades que investiram em redes inteligentes de iluminação, como Curitiba e Juazeiro do Norte, demonstram o impacto direto da tecnologia na qualidade urbana. Em Curitiba, por exemplo, a substituição completa da rede por LED foi feita por meio de parceria público-privada, permitindo monitoramento remoto e manutenção automatizada. Já Juazeiro do Norte apostou em sensores fotocélulas que acendem e apagam conforme a luminosidade natural, reduzindo falhas e otimizando o consumo. Fortaleza segue em direção semelhante, priorizando avenidas, praças e corredores de transporte.
De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), projetos de modernização da iluminação pública nas cidades latino-americanas têm gerado redução de até 30% nos índices de criminalidade em áreas requalificadas, especialmente quando combinados com intervenções urbanas e maior presença comunitária. A percepção de segurança não vem apenas da luz, mas do retorno das pessoas às ruas. É o que se observa em praças e avenidas da capital que receberam luminárias mais potentes e uniformes.
Para a engenheira elétrica Sandra Ferreira, especialista em redes urbanas, “a iluminação pública é uma infraestrutura essencial e invisível. Quando ela falha, a cidade adoece – e quando funciona bem, ninguém percebe, porque o cotidiano flui em segurança”. Ela destaca que tecnologias como a telegestão – que permitem acender, apagar e monitorar pontos remotamente – são o próximo passo para cidades que buscam eficiência total e resposta rápida às demandas da população.
Em Fortaleza, o cidadão pode acionar o serviço de manutenção pelo 156 ou pelo aplicativo Iluminação Pública, desenvolvido para registrar falhas e acompanhar a resolução dos pedidos. Esse modelo de participação direta fortalece o vínculo entre o poder público e o morador, além de agilizar a correção de pontos apagados. A cidade vem ampliando também o uso de postes multifuncionais, que integram câmeras de segurança e sensores ambientais, fortalecendo o conceito de “cidade inteligente”.
Mas o debate vai além da tecnologia. Ainda há um desafio de equidade luminosa — bairros periféricos frequentemente têm cobertura mais precária, o que influencia diretamente a sensação de abandono. “A desigualdade luminosa é também uma desigualdade social. Precisamos democratizar a luz para democratizar a cidade”, afirma o sociólogo Lúcio Almeida, estudioso da relação entre urbanismo e comportamento coletivo.
Nos parques e espaços de lazer, a luz cumpre outro papel: o de devolver a cidade às pessoas. A iluminação de pistas de caminhada e praças incentiva hábitos saudáveis e amplia o convívio noturno. O Parque do Cocó, por exemplo, vem passando por intervenções de retrofit energético, substituindo lâmpadas antigas por LED de baixa potência, com o objetivo de preservar o meio ambiente sem comprometer a visibilidade e o conforto dos frequentadores.
A iluminação pública, portanto, é uma política que atravessa múltiplas dimensões — técnica, social, ambiental e simbólica. Ela reduz emissões, previne acidentes, estimula o turismo noturno e promove o senso de segurança. E mais do que isso: traduz o compromisso de uma cidade com quem a habita. Afinal, a luz é o primeiro sinal de presença — e nenhuma cidade pode ser verdadeiramente humana se viver às escuras.
E.





