
Mais coração, mais consciência: o novo perfil dos tutores brasileiros
5 de novembro de 2025
Prevenir é um ato de amor: por que a rotina veterinária é essencial aos pets?
6 de novembro de 2025O cuidado com os animais de estimação está cada vez mais conectado. No Brasil, o setor pet movimentou mais de R$ 68 bilhões em 2023, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), e uma parte significativa desse crescimento vem da chamada pet tech, a união entre tecnologia e bem-estar animal.
Dos aplicativos que lembram o dia da vacina aos dispositivos que monitoram sono e atividade física, as ferramentas digitais estão transformando a rotina de tutores e profissionais. De acordo com o Startup Landscape Pet Techs 2024, elaborado pela Liga Ventures, o país já abriga dezenas de startups voltadas à saúde, nutrição e comportamento de pets, desenvolvendo soluções que vão desde coleiras inteligentes até plataformas de teleorientação.
Em Fortaleza, essa tendência começa a se expandir em clínicas e hospitais veterinários que adotam sistemas digitais para acompanhar históricos clínicos e agendamentos online. A médica-veterinária Simone Facó, especialista em comportamento e bem-estar animal, explica que a tecnologia é uma aliada importante, mas deve ser usada com responsabilidade, pois o olhar humano continua insubstituível — nenhum aplicativo é capaz de compreender os sinais sutis que o tutor percebe no dia a dia, e é justamente essa sensibilidade que garante um cuidado completo e afetivo.
A telemedicina veterinária, regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) por meio da Resolução nº 1.465/2022, também é um avanço relevante. A norma permite teleconsultas e teleorientações, especialmente em casos simples, como dúvidas sobre alimentação, comportamento ou ferimentos leves. O modelo ganhou força após a pandemia e hoje facilita o acesso a cuidados básicos para quem mora longe de clínicas.
“Nem sempre consigo sair de casa com minha gata, que se estressa facilmente. Ter uma consulta online foi uma solução prática e segura”, conta Letícia Nunes, 28 anos, moradora do bairro Aldeota. “O veterinário me orientou sobre alimentação e acompanhamento, e depois fiz o retorno presencial”.
Outra inovação em ascensão é o microchip de identificação, que funciona como uma espécie de RG eletrônico para os animais. O dispositivo armazena dados sobre o tutor e o pet, facilitando a localização em casos de fuga ou perda. Em várias cidades brasileiras, programas de microchipagem vêm sendo incorporados às campanhas de adoção e de controle populacional.
Além da identificação, a tecnologia também chegou à prevenção. Coleiras inteligentes e aplicativos de monitoramento comportamental, como os lançados por marcas internacionais de acessórios, utilizam sensores para medir temperatura corporal e níveis de atividade física, permitindo detectar alterações que podem indicar doenças.
Essas inovações refletem uma mudança cultural: tutores cada vez mais conscientes, que buscam integrar o cuidado com os animais à própria rotina digital. De acordo com levantamento da Mars Petcare, os consumidores brasileiros estão entre os que mais se interessam por produtos tecnológicos voltados ao bem-estar dos pets, especialmente os que unem conveniência e cuidado preventivo.
O futuro do setor pet caminha lado a lado com a tecnologia, mas sem perder a essência do vínculo entre humanos e animais. Em um mundo de telas e algoritmos, o toque, o olhar e o afeto continuam sendo os verdadeiros dispositivos que conectam quem ama e cuida.
E.





