
Prevenir é um ato de amor: por que a rotina veterinária é essencial aos pets?
6 de novembro de 2025
Quando o afeto de um pet se torna o melhor remédio
6 de novembro de 2025Os latidos, miados e patinhas que se multiplicam pelas ruas são reflexo de uma sociedade em transformação. O Brasil já soma 149,6 milhões de animais de estimação, segundo o Instituto Pet Brasil, e figura como o segundo maior mercado pet do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Essa presença maciça de cães e gatos muda não apenas hábitos familiares, mas também a forma como as cidades precisam ser planejadas.
Em Fortaleza, o avanço é perceptível em espaços públicos e políticas voltadas ao bem-estar animal. O Parque Rachel de Queiroz foi um dos primeiros a incluir áreas de convivência voltadas aos pets, com bebedouros e estrutura adaptada. O Parque do Cocó também se tornou palco de corridas e eventos que reúnem tutores e cães, promovendo o exercício e a socialização. São exemplos que ilustram o conceito de “cidade amiga dos animais”, que já ganha corpo em diversas capitais.
Mas construir uma cidade verdadeiramente pet friendly vai além de liberar o acesso a praças ou cafés. Exige infraestrutura, campanhas de conscientização e políticas públicas integradas. Em Fortaleza, essa tarefa está sob coordenação da Coordenadoria Especial de Proteção e Bem-Estar Animal (Coepa), vinculada à Prefeitura. O órgão realiza ações permanentes de castração e adoção responsável, além de campanhas educativas sobre posse responsável.
Entre as principais iniciativas está o VetMóvel, serviço itinerante de atendimento veterinário gratuito. As unidades percorrem bairros oferecendo consultas clínicas, vacinação antirrábica e castrações. Desde a criação do programa, milhares de cães e gatos já foram atendidos, contribuindo para o controle populacional e a redução de zoonoses. A ação é feita em parceria com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e a Secretaria Municipal da Saúde, e foi ampliada em 2025 com apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC), que cedeu espaço para consultas e cirurgias no campus do Pici.
“O VetMóvel é uma política de inclusão. Ele chega onde muitos tutores não teriam condições de pagar pelo atendimento veterinário”, comenta Ana Cláudia Mendes, 42 anos, moradora do bairro Bom Jardim, enquanto aguarda a vacinação de seu gato. “Além de cuidar dos animais, o serviço aproxima a comunidade do tema do bem-estar”.
Contra o abandono
Fortaleza também desenvolve ações de adoção e combate ao abandono, problema que atinge milhares de animais. Segundo levantamento divulgado pela Coepa em 2023, estima-se que mais de 40 mil animais vivam em situação de rua na capital. Mutirões de adoção realizados em parceria com ONGs e clínicas veterinárias buscam reduzir esse número, promovendo a guarda responsável e o controle ético da população animal.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Ceará (CRMV-CE) reforça que o crescimento do número de animais nas áreas urbanas demanda atenção à infraestrutura das cidades. O órgão defende a ampliação de campanhas de vacinação e a oferta de áreas seguras e higienizadas para lazer, o que beneficia tanto os animais quanto a saúde coletiva.
Essas iniciativas se somam a uma mudança cultural. O animal de estimação, antes restrito ao quintal, hoje é membro da família. Essa nova relação requer empatia urbana: recolher fezes nas calçadas, respeitar regras de convivência e zelar pelo espaço público são atitudes que definem o nível de civilidade de uma cidade.
Fortaleza caminha nessa direção, equilibrando o afeto com a responsabilidade. Projetos de educação ambiental, adoção consciente e atendimento veterinário gratuito mostram que cuidar dos pets é, também, cuidar da cidade. Uma cidade verdadeiramente moderna é aquela que aprende a conviver com o amor – e com as patas – de todos os seus habitantes.
E.





