
Fortaleza, terra da luz: quando a iluminação pública transforma a paisagem urbana
6 de novembro de 2025
Mobilidade inteligente representa futuro que já começa a circular em Fortaleza
6 de novembro de 2025Cuidar das calçadas é cuidar das pessoas. É reconhecer que a cidade começa sob os nossos pés — e que o primeiro passo para transformá-la é garantir que todos possam caminhar com segurança, autonomia e dignidade.
Em uma cidade viva, o ato de caminhar é mais do que um deslocamento: é um exercício de cidadania. As calçadas de Fortaleza revelam o quanto a capital cearense tem avançado – e ainda precisa evoluir – para se tornar um espaço urbano verdadeiramente inclusivo. Cada degrau irregular, cada buraco e cada obstáculo no caminho traduzem um desafio diário para quem depende dos próprios passos para chegar ao trabalho, à escola ou à feira.
O Código da Cidade de Fortaleza (Lei Complementar nº 270/2019) estabelece que é responsabilidade do proprietário manter as calçadas em perfeito estado de conservação, independentemente de notificação. Já o Manual Técnico para Calçadas, elaborado pela Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), define as diretrizes para que esses espaços sejam acessíveis, seguros e confortáveis: piso contínuo e antiderrapante, faixa livre de circulação, rampas com inclinação adequada e sinalização tátil para pessoas com deficiência visual.
Essas normas são mais do que um conjunto de regras. Elas representam um compromisso com o direito de ir e vir, especialmente para idosos, pessoas com deficiência e famílias com carrinhos de bebê. “A calçada é o primeiro equipamento urbano que revela se a cidade é feita para todos”, destaca um trecho do manual da Seuma, que reforça o conceito de desenho universal como princípio da mobilidade urbana.
Desafios e soluções
Fortaleza, como outras grandes capitais brasileiras, enfrenta o desafio de compatibilizar o crescimento urbano com a caminhabilidade. Ruas estreitas, ocupações antigas e ausência de padronização tornam a experiência do pedestre desigual entre bairros. Por outro lado, o município vem adotando soluções progressivas, como travessias elevadas, rampas de acessibilidade e o projeto Esquina Segura, que amplia o espaço do pedestre nas interseções e reduz a velocidade dos veículos.
Essas ações locais dialogam com um movimento global em favor das cidades caminháveis (walkable cities), conceito defendido por urbanistas como Jan Gehl e difundido por organizações como o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil). De acordo com o ITDP, investir em calçadas acessíveis não é apenas uma questão estética, mas uma política de mobilidade sustentável — capaz de reduzir o trânsito, estimular o comércio de bairro e melhorar a saúde pública.
Comparativamente, cidades como Curitiba e Recife mostram caminhos possíveis. Ambas estruturaram planos de acessibilidade que priorizam calçadas em áreas de grande fluxo, como centros comerciais, hospitais e escolas. Essas experiências demonstram que o investimento em caminhabilidade não é luxo, mas estratégia urbana inteligente, que reduz custos futuros com pavimentação, drenagem e acidentes.
Acessibilidade em pauta
Em Fortaleza, o Plano de Caminhabilidade — desenvolvido com apoio técnico de universidades e órgãos públicos — define eixos prioritários para padronização e recuperação de passeios. O Ministério Público do Ceará acompanha sua execução, reforçando que a acessibilidade deve ser tratada como política pública permanente, e não apenas como ação pontual. O foco é garantir que as intervenções sejam planejadas, interligadas e contínuas.
A participação do cidadão é outro pilar essencial. Manter o passeio limpo, não obstruir o caminho com veículos e respeitar a faixa livre de circulação são atitudes que constroem uma cidade mais acolhedora. O mesmo vale para o poder público, que deve fiscalizar, orientar e apoiar ações de requalificação, especialmente em áreas com vulnerabilidade socioeconômica.
As calçadas também têm um papel simbólico. São o espaço onde os encontros acontecem, onde se olha nos olhos e se constrói a vida urbana. Ao investir em acessibilidade, Fortaleza não apenas melhora a mobilidade, mas reforça sua identidade como cidade plural, feita de passos diversos. Como destaca o documento técnico da Seuma: “a boa calçada é aquela que convida o cidadão a permanecer, não apenas a passar”.
E.





