
Quando o sabor guia a rota: o avanço do turismo gastronômico no Brasil
18 de novembro de 2025
Como a tecnologia redesenha a experiência do turista moderno
18 de novembro de 2025Nos últimos anos, o turismo solo deixou de ser visto como algo exótico e passou a ser encarado como escolha consciente de milhares de pessoas ao redor do mundo. Pesquisas de mercado e reportagens especializadas mostram que cada vez mais viajantes brasileiros desejam fazer ao menos uma viagem sozinhos, motivados pela vontade de viver experiências no próprio ritmo e pela busca de maior autonomia.
Esse crescimento é ainda mais visível entre mulheres. Matérias recentes apontam que uma parcela significativa das brasileiras já viajou sozinha no último ano, e muitas planejam novas jornadas desse tipo, valorizando liberdade, cuidado consigo e experiências transformadoras.
Pesquisadores da área de turismo e comportamento apontam que viajar sozinho pode estimular autoconfiança, tomada de decisão e ampliação de repertório. Em entrevistas e estudos qualitativos, mulheres relatam que a experiência solo funciona como um rito de passagem: uma pausa para se escutar, reorganizar prioridades e testar limites pessoais em contextos desconhecidos.
Liberdade como propósito
Se por um lado cresce o interesse em viagens solo, por outro o tema da segurança segue central, sobretudo para as mulheres. Pesquisas sobre turismo feminino e estudos acadêmicos dedicados à mulher viajante solo mostram que a preocupação com assédio, violência e infraestrutura adequada pesa fortemente na hora de escolher um destino.
Há avanços importantes. O Ministério do Turismo vem desenvolvendo materiais específicos, como o guia “Dicas para Atender Bem Turistas Mulheres” e uma publicação voltada a mulheres que viajam sozinhas, com foco em acolhimento, orientação prática e empoderamento. A própria pasta também divulga iniciativas, redes e comunidades que conectam viajantes solo e criam espaços de troca e apoio.
Ao mesmo tempo, estudos internacionais lembram que o Brasil ainda enfrenta desafios relevantes quando o assunto é segurança para mulheres que viajam sozinhas, o que torna essencial a combinação entre informação, planejamento e escolha criteriosa de hospedagem, transporte e roteiros.
Nesse contexto, a viagem solo passa a ser construída não apenas como expressão de liberdade, mas como exercício de cuidado: pesquisar bem o destino, conhecer relatos de outras viajantes, planejar deslocamentos e buscar serviços que reconheçam e respeitem as necessidades desse público.
Quando o destino acolhe
O Ceará se consolida como destino turístico relevante no cenário nacional e internacional, com força em segmentos como sol e praia, natureza, turismo cultural e gastronômico – o que cria um ambiente fértil também para quem viaja sozinho e busca diversidade de experiências em um único estado.
Fortaleza aparece com frequência em guias de viagem independentes e em conteúdos produzidos por mulheres que viajam sozinhas, com dicas práticas sobre onde se hospedar, quais regiões priorizar, como se deslocar e como combinar a capital com outros destinos do litoral. Esses relatos destacam tanto a oferta de hospedagens para diferentes perfis quanto a necessidade de atenção aos horários e às áreas escolhidas, reforçando um olhar realista sobre o destino.
No litoral, praias como Canoa Quebrada, Jericoacoara e outras localidades cearenses aparecem com regularidade em blogs, redes e comunidades de mulheres viajantes, muitas vezes associadas à sensação de pertencimento, encontros entre viajantes e contato próximo com a natureza.
A expansão de hostels, pousadas e hotéis que oferecem ambientes compartilhados, áreas de convivência, atividades em grupo e até benefícios específicos para mulheres que viajam sozinhas – como descontos, pacotes dedicados e ações promocionais – demonstra que o mercado começa a ler com mais atenção às demandas desse público. Há, inclusive, campanhas de redes hoteleiras com tarifas especiais para hóspedes solo em Fortaleza e em outras cidades brasileiras.
Vivências que marcam
Para quem viaja sozinho, roteiros que combinam cultura, natureza e gastronomia tendem a ser os mais valorizados. No Ceará, é possível construir experiências que vão além da praia:
- circuitos históricos e culturais em Fortaleza, com visitas a museus, centros culturais e áreas revitalizadas;
- passeios de dia inteiro que conectam a capital a praias do leste e do oeste, permitindo que o viajante solo escolha entre aventura, contemplação ou gastronomia à beira-mar;
- roteiros gastronômicos que apresentam mercados, feiras e restaurantes onde a cozinha cearense se torna porta de entrada para a cultura local.
Em comunidades digitais dedicadas ao tema, mulheres relatam que, ao viajar sozinhas pelo Nordeste, valorizam especialmente: saber onde se hospedar, ter acesso a guias mulheres, contar com informações claras sobre mobilidade e encontrar espaços que favoreçam encontros seguros com outras viajantes.
Mais do que uma sequência de pontos turísticos, a viagem solo é feita de pequenos marcos pessoais: o primeiro jantar sozinha em um restaurante movimentado, a decisão de fazer um passeio de última hora, a conversa com uma moradora que vira amiga de viagem, o pôr do sol observado em silêncio. São fragmentos que, somados, constroem uma narrativa única de liberdade e responsabilidade.
Narrativas pessoais e pertencimento
Ao final, o que define uma boa experiência solo não é apenas o mapa percorrido, mas a forma como o viajante se percebe dentro dessa jornada. Em depoimentos reunidos por projetos e pesquisas sobre o tema, muitas mulheres descrevem a viagem sozinhas como um processo de reconciliação consigo mesmas – um tempo em que o mundo externo funciona como cenário para uma conversa interna importante.
O Ceará, com sua combinação de cultura forte, paisagens marcantes e uma estrutura turística em expansão, se coloca como um dos destinos brasileiros capazes de dialogar com esse novo perfil de viajante. Mas, para que essa vocação se consolide, seguirão fundamentais políticas públicas, iniciativas privadas e ações de qualificação que coloquem a segurança e o acolhimento das mulheres no centro da experiência turística.
Viajar sozinho, nesse contexto, é menos sobre solidão e mais sobre escolha. Uma escolha que envolve liberdade, planejamento, cuidado e, sobretudo, o direito de ocupar o mundo em primeira pessoa.
E.





