
Fair Play Financeiro pode inaugurar nova era no futebol brasileiro
19 de novembro de 2025Durante décadas, o esporte tratou a saúde mental como um assunto proibido. A lógica era simples: atleta forte não fraqueja. Mas esse paradigma começou a ruir quando nomes de peso passaram a falar abertamente sobre emoções, limites e autocuidado. Hoje, o equilíbrio emocional é reconhecido como componente tão essencial quanto o treino físico – e essa mudança tem impacto direto dentro e fora das quadras.
A ginasta Simone Biles, uma das maiores atletas da história, afirmou em entrevistas internacionais que priorizar a própria saúde mental foi mais importante do que qualquer medalha. Ao colocar sua segurança emocional acima da competição, ela abriu caminho para diálogos que antes eram evitados no mundo esportivo.
Força interior
No Brasil, o surfista Gabriel Medina reforçou esse movimento ao se afastar das competições para cuidar da saúde mental. Em conversas públicas, ele relatou que buscar ajuda psicológica foi essencial para manter o amor pelo esporte e reencontrar motivação. Sua postura incentivou outros atletas a reconhecerem e expressarem suas vulnerabilidades.
O nadador Michael Phelps, recordista olímpico, também costuma destacar que a decisão de pedir ajuda foi determinante para sua vida. Em diferentes entrevistas, ele afirma que enfrentar os próprios limites emocionais é tão importante quanto nadar rápido. Esses depoimentos dão força a uma discussão que há muito precisava ganhar espaço.
Rede de apoio
A psicóloga esportiva Ana Carolina Zampieri, do Comitê Olímpico do Brasil, reforça que o desempenho de alto rendimento exige atenção constante à saúde emocional. Em entrevistas, ela explica que cuidar da mente deixou de ser tratado como detalhe e passou a ser reconhecido como parte da construção do atleta. Para ela, equipes e instituições esportivas precisam ampliar o suporte profissional oferecido aos competidores.
Em Fortaleza, clubes, escolinhas e centros esportivos já começam a incorporar acompanhamento psicológico em categorias de base. Para muitos jovens atletas, esse é o primeiro contato com o entendimento de que corpo e mente caminham juntos desde cedo na formação esportiva.
Potência humana
A mudança também alcança atletas amadores. O cearense Rafael Moura, 25 anos, correu sua primeira maratona após buscar acompanhamento psicológico para lidar com ansiedade. “Comecei para aliviar a pressão do trabalho, mas descobri que correr me devolveu clareza e autoestima”, conta. “Hoje enxergo o esporte como uma forma de cuidar da mente”.
O crescimento de corridas de rua, academias de lutas e grupos de ciclismo em Fortaleza evidencia essa tendência: pessoas que encontram no esporte uma ferramenta de equilíbrio emocional, convivência e bem-estar.
Especialistas apontam que o diálogo crescente ajuda a combater dois fantasmas antigos do esporte – o isolamento e o medo de demonstrar fragilidade. Com mais atletas falando aberta e sinceramente sobre suas emoções, o ambiente esportivo se humaniza e cria espaço para novas formas de cuidado.
Quando ídolos assumem que também enfrentam medo, ansiedade ou dor emocional, o impacto vai muito além das quadras. Eles inspiram pessoas comuns a rever expectativas, buscar apoio profissional e entender que saúde mental é uma questão de humanidade, não de fama.
Ao transformar vulnerabilidade em potência, essa geração de atletas mostra que pedir ajuda é um ato de coragem – e que cuidar da mente é, talvez, o treino mais importante de todos.
E.





