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19 de novembro de 2025O Fair Play Financeiro deixou de ser uma ideia abstrata e passou a integrar a agenda central do futebol brasileiro. A proposta da CBF, apresentada como parte do novo processo de licenciamento de clubes, segue princípios adotados pela UEFA e por diversas ligas europeias: impedir gastos acima da capacidade real, reduzir endividamento e modernizar a gestão do esporte no país.
O crescimento das SAFs, a entrada de investidores profissionais e o aumento da exigência por demonstrações financeiras confiáveis criaram um ambiente propício para o Fair Play. É um cenário inédito – e, para muitos especialistas, a chance mais concreta de reorganização estrutural do futebol brasileiro.
Transparência necessária
O economista Cesar Grafietti, referência nacional em finanças do futebol, tem defendido publicamente a implantação de controles mais rígidos. Em entrevistas, ele afirma que “o mercado já não aceita mais clubes que gastam sem considerar receitas e custos. Sem governança, não há competitividade sustentável”. Para ele, o Fair Play brasileiro é um mecanismo de proteção, e não de punição.
A CBF também tem reforçado a importância da modernização. Em diferentes declarações, o presidente destaca que o futebol brasileiro precisa evoluir na gestão, adotando critérios claros, auditorias externas e licenciamento rígido – práticas já consolidadas em países líderes do esporte.
Combate ao ‘Doping Financeiro’
O tema ganhou ainda mais relevância após declarações do presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, que trouxe ao debate o conceito de “doping financeiro”. Em entrevista registrada pela imprensa, Dresch afirmou que “há clubes que contratam, não pagam e, mesmo assim, competem, tirando vantagem de quem trabalha certo”. A fala repercutiu porque expôs um desequilíbrio histórico: resultados desportivos alcançados à base de atrasos, calotes e dívidas crescentes.
Entre os exemplos citados frequentemente pelo mercado está o caso do Corinthians, hoje um dos clubes com maior volume de dívidas do país – um cenário amplamente noticiado pela imprensa esportiva nacional e que afeta diretamente o planejamento, contratações e sustentabilidade de longo prazo.
Caminho sustentável
Com o Fair Play, a CBF pretende estabelecer limites de gasto vinculados à receita, evitar endividamento excessivo e exigir demonstrações contábeis auditadas. A ideia é simples: clubes só devem investir aquilo que podem pagar. Para os especialistas, esse modelo não reduz competitividade – ele a torna saudável e previsível.
Torcedores também reconhecem a importância do controle. “Quando o clube atrasa salário ou empilha dívida, o rendimento cai. Não existe mágica”, afirma Marcelo Freitas, torcedor. “Se o Fair Play ajudar a ajustar isso, o futebol inteiro ganha”.
Impacto no jogo
Com contas equilibradas, os clubes podem planejar elenco, investir em categorias de base e evitar ciclos de crise. Isso significa melhores resultados, maior estabilidade e mais capacidade de reter talentos. A organização financeira contribui diretamente para o espetáculo em campo.
Especialistas apontam que o modelo pode ajudar especialmente clubes de médio porte – incluindo diversos do Nordeste – que sofrem com disparidades orçamentárias e dependência de receitas imprevisíveis.
Exemplos positivos
Ligas como a Premier League e a UEFA evoluíram seus modelos de Fair Play ao longo dos últimos anos, implementando monitoramento constante, penalidades financeiras e regras claras de investimento. O resultado foi maior segurança jurídica, arena comercial fortalecida e crescimento da competitividade.
Ao adaptar esse modelo, o futebol brasileiro pode trilhar o mesmo caminho, reduzindo a dependência de dirigentes voluntários e fortalecendo a figura do gestor profissional.
Sinal de futuro
Ainda existem desafios — resistência política, diferenças regionais e necessidade de fiscalização constante. Mas o movimento atual indica maturidade inédita. Para especialistas, a adoção do Fair Play é mais do que uma regra: é uma mudança cultural que pode transformar décadas de improviso.
Se implantado com transparência, auditoria e rigor técnico, o Fair Play Financeiro pode ser o maior passo da profissionalização do futebol brasileiro, inaugurando uma era mais justa, sustentável e competitiva para clubes, atletas e torcedores.
E.





